Concurso Literário da Fundação Catarinense de Cultura
Instituído pelo Decreto nº 12.307/1980, o Prêmio Cruz e Sousa de Literatura é um concurso literário promovido pela Fundação Catarinense de Cultura (FCC). O prêmio destina-se a autores de obras de diferentes gêneros, incentivando e estimulando a criatividade e a produção literária.
EDIÇÃO DE 2025
Em 2025, a Fundação Catarinense de Cultura (FCC) promoveu o Prêmio Cruz e Sousa de Literatura, por meio da Comissão Catarinense do Livro (COCALI). Foram premiados autores de livros dos gêneros literários poesia e romance, inéditos e em língua portuguesa, com primeira edição publicada no Brasil entre 1º de janeiro de 2023 e 31 de dezembro de 2024.
O Prêmio contou com categorias voltadas a escritores catarinenses e também a autores de outros estados do país. Para todas as categorias foram selecionados os dois autores dos livros classificados em primeiro e segundo lugar, que receberam, respectivamente, premiações nos valores de R$ 20 mil e R$ 15 mil brutos.
Autores e obras premiadas:
Categoria: Poesia de autor(a) catarinense
MAIARA KNIHS - CANTO PARA EMBARAÇAR A LÍNGUA
Editora Patuá

“É na página escrita que este canto se inscreve. A poeta resiste aos brancos, preenchendo da pretidão das palavras o vão do silêncio ameaçador da página branca. Em busca dos sonhos apagados, a poeta canta em ciclos: um canto fúnebre inaugura a vida, prenunciando outros nascimentos. Com os pés na terra, ou dentro da água primeira, dá-se um encontro radical com o ser do fundo, que dá as mãos à criança/crianza: mútua criação. Ao se voltar à casa materna, à língua materna, à terra natal, a poeta migra uma vez mais; estrangeira, encontra esquecimentos embarazados de memória no Vale de onde emerge a história que balbucia, constrói e reconstrói, em movimento incessante de lembrar, esquecer, inventar, esquecer, encontrar, esquecer, escrever, esquecer, cantar, ouvir, cantar.” — Ana Araújo
(Primeira aba do livro)
GUSTAVOT DIAZ - CANÇÕES PARA DESARMAR BOMBAS
Editora Mondru
“Indo da geopolítica até mínimos temas cotidianos – os poemas de canções para desarmar bombas sondam como tais extremos se articulam para esvaziar a densidade de experiências na vida social. Numa linguagem original e livre de panfletarismos e denuncismo, o livro descortina a constelação entre o oportunismo político e banalidade dos clichês e estereótipos que instrumentalizam a linguagem. Testemunho pessoal e balanço de um tempo, o som destas canções é um convite à revitalização dos sentidos e à elaboração poética deste período de explosões que atordoa a sensibilidade contemporânea.” (Site da Editora https://mondru.com)
Categoria: Poesia de autor(a) nacional
JR. BELLÉ - RETORNO AO VENTRE
Editora Elefante

“No leito de um hospital em Curitiba, Tia Pedrolina desperta de sua longa noite de Alzheimer e faz uma revelação a seu sobrinho. Suas palavras o lançam numa jornada pela história oculta da família. Misturando memória, pesquisa documental e poesia, Retorno ao ventre investiga um acontecimento histórico brutal e pouco conhecido, que mudou os destinos de sua família e de sua terra natal: a primeira expedição militar da República do Brasil ao sudoeste do Paraná, coração do território Kaingang, no início do século XX. À frente dos militares está seu bisavô, um renomado bugreiro alemão. No meio do caminho, sua bisavó, uma criança indígena. Visto pelo Estado como um lugar misterioso, distante e selvagem, um grande vazio demográfico no meio da maior floresta de araucária do mundo, o sudoeste do Paraná estava, na verdade, repleto de povos, de vida e de cultura. A “marcha para o oeste”, um dos mais violentos processos de colonização interna do país, não desejava apenas ocupar terras indígenas e sobre elas construir cidades e fazendas; no caso paranaense, desejava ocultar o legado originário, reescrevendo a história do estado como uma terra erigida por pioneiros brancos e descendentes de europeus. Aos povos indígenas do Sul é imposta toda sorte de invisibilidade. Este livro de poesia investiga uma memória familiar que se confunde com a própria história invisibilizada do Paraná. Por respeito e admiração aos protagonistas deste longo poema, desta epopeia coletiva, Retorno ao ventre foi escrito em português e traduzido integralmente ao idioma kaingang.” (Site da Editora - https://editoraelefante.com.br)
JORGE EMIL - O GRITO CONTROLADO
Editora Patuá

“Manuel Bandeira escreveu sobre um cacto: áspero, belo, intratável. Deste livro atrevo-me a dizer que é belo, áspero, abordável. Não pertence a nenhuma tribo domesticada. Não há quem lendo O grito controlado não se dê conta de sua ira, sarcasmo e dor, mas também das sementes da compaixão que Jorge Emil abriga quase ocultas, quase envergonhadas no livro que muitas vezes nos faz rir de verdade, onde percebemos que ele controla mesmo a exasperação e a dor que partilha conosco. É generoso. Não fez o mundo, mas o carrega. Acorda os corações sem feri-los. Leia O grito controlado. É uma emoção de pertença a nossa raça humana. Com certeza acordará você para a verdadeira compaixão, de onde brotam esperança e alegria. Outra coisa a poesia não faz” — Adélia Prado
(Contracapa do livro)
Categoria: Romance de autor(a) catarinense
MAICON TENFEN - O ESPETÁCULO DE INVERNO
Editora Ronin

“Corre o ano de 1871. Um poeta brasileiro acorda num quarto de hotel de uma cidade desconhecida. Ele não sabe onde está e nem como foi parar ali. Quase ao mesmo tempo, um jornaleiro anuncia o sensacional Espetáculo de Inverno, que ocorre apenas uma vez por ano e que terá início à meia-noite daquele mesmo dia. A partir de então, o poeta se atira a uma jornada de dúvidas e estranhamento. Ele pensa que luta para conseguir um dos raros ingressos do espetáculo, mas o que está acontecendo de fato? Por que é tão difícil chegar ao teatro? Por que ele recorda passagens de sua vida, misturando a memória a obstáculos que mais parecem a punição por tudo que fez — ou deixou de fazer — em seus momentos mais decisivos? Por que ninguém reconhece seu nome, ele que é um abolicionista famoso, e por que inexiste a escravidão nesta cidade que, por mais que ele se esforce, não consegue identificar? Numa narrativa em que o corriqueiro se mistura ao simbólico e o real ao onírico, o protagonista terá de passar por uma série de pistas falsas para descobrir a verdade sobre o mundo que o cerca, além dos equívocos de sua própria existência."
MARCELO LABES - DEUS NÃO DIRIGE O DESTINO DOS POVOS
Caiaponte edições

“Em "Deus não dirige..." conhecemos Tomás, um jornalista mediano que se depara com uma caixa na frente da porta de seu apartamento. Ao abri-la, é enviado para uma história que lhe pertence e que ele ignora: dos campos de batalha da Segunda Guerra à perseguição dos “comunistas de Blumenau”, quando do golpe de 1964, e daí à gigantesca greve operária ocorrida naquela cidade em 1989.
O que Tomás precisa é vencer o temor de que algo lhe aconteça enquanto recebe ameaças pelo celular e o assédio de Geraldo, um investigador da polícia que tem estado em seu encalço desde que tudo isso começou. Se persistir, talvez consiga relacionar tantas datas, nomes e siglas ao candidato bizarro que concorre às eleições de 2018, ano em que se passa esta história. E, se der sorte, conseguirá entender o maior partido político do Brasil, que resiste nas sombras.” (Site da Editora)
Romance de autor(a) nacional
CÁSSIA FERNANDES - HISTÓRIAS ENCANTADAS ENTRE CORDILHEIRAS DE AREIA
Editora Arribaçã

“Amapola e Varsóvia, duas jovens de 25 anos, sem saber como e por que, acordam, pouco antes da Grande Gripe da Coroa de Espinhos, peladas em uma praia de Anhangás, antiga vila de pescadores que se tornou destino turístico. Inspirado na Vila de Jericoacoara, Ceará, o livro apresenta um mundo absurdo, onde nem tudo o que parece, é. A obra tem capa de Leonardo Guedes e projeto gráfico de Luis Carlos Kehrle.” (Site da Editora)
MARINA MONTEIRO – AÇOUGUEIRA
Editora Clarabóia

“Em Açougueira, a narradora conta seu testemunho de vida e o oferece perante um júri. Essa mulher quieta e observadora, espia a vida por uma fresta e vive a vida por uma fresta. Ir contra Deus, desse jeito, é demais, é ir contra a natureza do homem. Mulher não age assim. Dizem a ela, e contra deus e tudo, ela segue, abrindo passagens. Neste romance, Marina Monteiro trabalha linguagem e forma de um modo admirável e faz emergir uma história inquietante e polifônica.” — Natalia Borges Polesso
(Contracapa do livro)

