A Sala Multimídia do Museu da Imagem e do Som de Santa Catarina (MIS/SC) recebe, no dia 21 de novembro, às 19h, a Mostra Curtas Cinema. O evento consiste em exibir, para a comunidade cinéfila da Grande Florianópolis, três curtas-metragens realizados, de modo independente, pelos cineastas Demétrio Panarotto e Helena Barbagelata. Entrada gratuita e por ordem de chegada mediante a capacidade do espaço.
As narrativas são marcadas por jogos constantes de imagens e por uma câmera pulsante e inquieta. Aquilo que os difere passa pelo modo como cada
projeto foi pensado e pela versatilidade nos recursos de montagem.
"Uma Manhã Colhendo Imagens", de 2025, foi realizado de modo coletivo, a partir de uma oficina ministrada por Panarotto e Barbagelata, com um núcleo de mulheres responsáveis pelo Horto Irmã Eva, em Rodeio (SC). Contou, ainda, com a Produção de Jakson Dartanhan Chiappa, Cristiano Moreira e Patricia Costa.
"Máquina de Costura", de 2024, feito em Lyon-FR (com a produção de Fernando Floriani Petry e Dalila Floriani Petry e montagem de Victor Zanini), propõe um olhar que dialoga com a cidade dos Irmãos Lumière e os primórdios do cinema.
"Dez Lugares Pra Namorar em Chapecó", de 2024, foi realizado na terra natal de Panarotto e se ampara em inserções de stop motion e no modo como a câmera cria diálogos com a cidade que sobrevive do agro, de suas benesses e de suas mazelas.
Sinopses dos filmes
Máquina de Costura
Á máquina fotográfica do pai é acrescida a de costura da mãe. O cinema dos Irmãos Lumiére parte desses dois embriões. As máquinas que lá estavam são as mesmas e ao mesmo tempo outras para a vida hoje, costuraram o tempo, as coisas do mundo. Máquina de Costura é um filme que fala das costuras que atravessam essas relações que nos mantém vivos perante os outros e perante a nós mesmos. Uma narrativa que se alinhava na história, nas ruas, becos, Traboules, pátios da cidade de Lyon-Fr. O cinema – e tudo aquilo que pesa sobre essa palavra - é um acréscimo, mais um, de oportunidades que constroem esse imaginário.
Uma manhã colhendo imagens
O ponto de partida de um roteiro para um filme, para além das definições, está naquilo que nos envolve, que nos aproxima, que nos faz transbordar. Passa pelos filmes, canções e textos que compõem as nossas referências artísticas e literárias. Passa também pela sensibilidade com a qual observamos os objetos, as coisas, a vida, tudo aquilo que nos rodeia, que brota do nosso olhar. Para depois ganhar potência crítica no modo como
montamos as imagens, entre o que vemos e o que nos vê. uma manhã colhendo imagens se constrói na coletividade dessas relações.
Dez lugares para Namorar em Chapecó
A morte se esconde em cada esquina da cidade. No vulto, no ruído, nas folhas das árvores, no vento. Naquilo que a gente vê e que a gente não vê. Naquilo que nem sempre a gente escuta. Na construção social e ou cultural a morte é naturalizada no espaço urbano da sociedade, moderna em seu espectro, que brinca e se diverte em comunhão. O progresso, que apaga o passado, nos mata no dia a dia. Dez lugares para Namorar em Chapecó é um filme de imagens e ruídos da cidade.
Minibios:
HELENA BARBAGELATA (Genova, Itália, 1991) é modelo de alta costura, artista multidisciplinar, cineasta, escritora, pesquisadora e ativista, premiada em diferentes áreas da criação e da inovação. Doutora em Filosofia, Matemática e Ciências Cognitivas pela Universidade de Atenas. Recebeu diversos prêmios artísticos da Fundação Onassis, do Ministério da Cultura da Grécia, da Academia de Belas Artes de São Petersburgo, do Comitê Nacional Italiano para a UNESCO, entre outras instituições. É membro da Israeli Artist Network, da America-Israel Cultural Foundation, da Sociedade de Artistas Judeus (SoJa), da Associazione per il Circuito dei Giovani Artisti Italiani (GAI) e da Organização para a Democratização das Artes Visuais (OBDK). Suas obras combinam técnica mista, escultura, pintura, filme, dança, performance, arte sonora e animação. Realizou inúmeras exposições individuais e coletivas em âmbito internacional. É autora de diversos livros de poesia, contos, ensaios e peças de teatro, além de ter publicado artigos em várias revistas, publicações e antologias.
DEMÉTRIO PANAROTTO nasceu em Chapecó-SC, em 1969. Professor Universitário (Unisul). Doutor em Literatura, área de concentração em Teoria Literária, pela UFSC, com a tese intitulada Glauber Rocha (de Euclides da Cunha a Xenofonte, de Xenofonte a Euclides da Cunha), 2012, e Mestre em Teoria Literária pela mesma instituição com a dissertação intitulada Não Se Morre Mais, Cambada...O tom de Tom Zé, 2005. Músico, roteirista, poeta, escritor e desde o ano 2000 ministra cursos nas áreas de Literatura, Música e Cinema. É idealizador do programa Quinta Maldita e do PIPA Festival de Literatura. Dos eventos que participou recentemente, a destacar, sem ensaio, lançamento do livro na casa do Brasil em Lisboa, Portugal, 2022; Raias
Poéticas, Famalicão-Portugal, 2023; Poesia Trans-Atlântica, Lisboa-Portugal, 2022 e 2023; Carta a Horácio, lançamento do livro na Feira do Livro de Lisboa, 2024; Terceira Margem, Barreiro-Portugal, 2024. Publicou, ainda, mais de trinta livros, dentre eles “Navalha” [Traços & Capturas, 2023, novela], “Carta a Horácio” [Kotter Editorial, Portugal, 2024, carta ensaio], “Olhos” [Kotter Editorial, Brasil, 2025, poemas], “Carpincho”, [Papel do Mato Oficina Tipográfica, 2025, prosa], mais alguns textos (publicados em revistas, sites e blogs no Brasil e exterior), discos (Banda Repolho e projeto Irmãos Panarotto) e filmes, como os que fazem parte dessa mostra.
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